F-X2: “Jobim fechou as portas”, diz Luiz Marinho

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Marinho reconhece não ter conhecimento técnico sobre os aviões. Afirma estar em busca de investimentos para o município. Com os suecos, diz ter feito um acordo para criação de um centro de tecnologia, em São Bernardo do Campo, no valor de US$ 50 milhões.

Nesta terça-feira (3), Marinho viaja para a França onde visita a sede da empresa Dassault, que produz o Rafale _ até então favorito para vencer a concorrência. Em março de 2010, ele esteve em Estocolmo para conhecer o caça Gripen, da Saab.

“Meu conhecimento técnico é igual o do (Nelson) Jobim. Estamos empatados”, disse em entrevista ao iG. Ele contou que, após a ida a Estocolmo, procurou integrantes do governo para defender o Gripen, mas disse que não foi recebido por Jobim.

“Falei com o presidente Lula e com alguns ministros. No entanto, não tive a chance de conversar com o ministro Jobim. Ele fechou todas as portas”, afirmou.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Por que o senhor resolveu participar dessa discussão sobre a compra dos caças?

Luiz Marinho: A gente trabalha de acordo com as possibilidades que a cidade possa ter. Eu fui procurado pelo pessoal da Suécia. Em São Bernardo do Campo, há uma fábrica da Scania, que tem origem sueca.

O senhor foi procurado já como prefeito ou ainda como ministro?

Marinho: Já como prefeito. Falaram que gostariam muito de apresentar o Gripen. Num primeiro momento, resolvi colher informações. Tratava-se de uma discussão muito distante da realidade de um município.

O senhor ficou surpreso?

Marinho: Sim. Preferi analisar bastante, mas eles insistiram muito para que eu fosse conhecer a fábrica na Suécia e fosse voar no Gripen até como forma de ajudar a desmanchar uma versão de que o avião era de papel, que não existia.

Acabei decidindo fazer essa viagem. Eles me disseram que se fossem vitoriosos fariam investimentos em São Bernardo. Em seguida, fizeram um seminário aqui na cidade e disseram que, independentemente de ganharem ou não a disputa, fariam um centro de desenvolvimento de tecnologia na cidade.

Falaram em algum valor?

Marinho: Da ordem de US$ 50 milhões em cinco anos. E se forem vencedores da disputa dos caças, o investimento será ainda maior para a produção de componentes do Gripen em São Bernardo.

Quando o senhor foi convidado chegou a procurar alguém do governo federal?

Marinho: Troquei idéias com várias pessoas do governo, falei com o então presidente Lula.

O que o presidente Lula disse?

Marinho: Ele me disse: “O que você tem a perder em não ir? Você não tem nada a perder. Vai conhecer. Não sabemos qual decisão iremos tomar”.

Mas o governo chegou a anunciar uma preferência pelo Rafale.

Marinho: É verdade. A avaliação, inclusive, é que a decisão já estava tomada. Bom, eu fiz a viagem, voei no Gripen.

E como foi?

Marinho: A Força Aérea brasileira prefere o Gripen. O ministro Nelson Jobim (Defesa) prefere o Rafale. Aparentemente, o presidente Lula tinha preferência pelo Rafale. Já a presidenta Dilma ainda não deu sinais do que ela prefere.

Ela deve começar de novo o processo de concorrência ?

Marinho: A presidenta me disse ldurante a campanha eleitoral que a intenção dela era analisar bem o processo para tomar a decisão.

A impressão que o senhor teve é que ela deve estender essa discussão?

Marinho: Eu acho que vai, mas é puro ‘achometro’. Vai entrar para o segundo semestre com certeza e podendo até se alongar mais. Agora, a minha intenção é buscar compromissos e parcerias para haver investimentos na cidade, independentemente de quem seja o vencedor.

O senhor faz relatórios dessas viagens? Procurou pessoas do governo federal?

Marinho: Falei com o presidente Lula e com alguns ministros. No entanto, não tive a chance de conversar com o ministro Jobim. Jobim fechou todas as portas. Então fazer o quê. Eu liguei para ele, mas não me retornou.

Mas o senhor não tem conhecimento técnico. Como faz a análise de um voo desses?

Marinho: Meu conhecimento técnico é igual o do Jobim. Estamos empatados. Na verdade, o voo é mais conhecimento pessoal. Não agrega na informação porque a gente não tem conhecimento técnico. Meu conhecimento técnico é zero em relação a isso. É só mais a emoção e a coragem de voar que muita gente não tem

O senhor não tem ser usado pelas empresas?

Marinho: Meu foco é muito claro é trazer investimentos para a cidade e para a região. Ser Rafale, Gripen ou Boeing o vencedor não tem problema.

É a prefeitura quem está bancando a viagem?

Marinho: Não. Estou viajando a convite das empresas.

FONTE: iG

COLABOROU: ‘ZE’

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Rodrigo

De vez em quando o Jobim acerta uma e esta foi uma delas.

Falando em SBC, depois de oito longos anos agourando o Brasil. O Lulla, agora está agourando o Corinthians somente!

Não ganhar do ridículo São Bernardo é uma vergonha e ainda querem jogar Libertadores ahahahahah

Boa Lulla, continue assim! Nós anti-corinthians agradecemos!

Vader

De fato a SAAB poderia ter arrumado um garoto propaganda melhorzinho. Deveria ter ido falar com o Presidente do Brasil, José Sarney… 🙂 Mas vc veja como é engraçado: desceram a lenha na SAAB porque ela procurou o Marinho, coisa aliás legítima (acho um erro, mas é legítima). Agora, que a Dassault fez o mesmo, ninguém fala nada. E todo mundo (quando digo todo o mundo evidentemente me refiro às rafalechetes mais furiosas e rasgadoras de calcinha que tem por aí – não aqui, thanks goodness) “se esquece” da visitinha patrocinada que uma comissão de políticos, incluindo o atual Vice-Presidente… Read more »

asbueno

Rodrigo disse:
31 de janeiro de 2011 às 10:33

Tudo bem que o Curintia jogou com o time “B”. Mas no fim das contas é difícil saber qual é o “A” e qual o “B”. Que continuem assim.

Guilherme Poggio disse:
31 de janeiro de 2011 às 10:38

Concordo contigo! Pelo menos o Marinho reconhece.

Vader disse:
31 de janeiro de 2011 às 10:50

Vader, a decisão só poderia ser política se tivesse ocorrido um “empate” e este ter sido declarado pela FAB. Coisa que não ocorreu.
Opção técnica já!

Grifo

Caro Rodrigo, como coloquei no outro post, acho que quem vai escondido na casa do Olivier Dassault não deveria se recusar a falar publicamente com o prefeito de um dos mais importante centros industriais brasileiros.

tplayer

Não vejo nada demais nessas viagens, o prefeito não gastou dinheiro público e ainda conseguiu atrair investimentos para cidade dele.

Vader

asbueno disse: 31 de janeiro de 2011 às 11:02 “Vader, a decisão só poderia ser política se tivesse ocorrido um “empate” e este ter sido declarado pela FAB. Coisa que não ocorreu. Opção técnica já!” Bueno, eu gostaria que fosse assim, mas não é. Fatores políticos influenciam. Agora, uma coisa é uma decisão POLÍTICA. Outra bem diferente é uma decisão IDEOLÓGICA. Uma coisa é tomar uma decisão clara, PÚBLICA e razoável, baseada em critérios geopolíticos objetivos e objetivamente avaliáveis por qualquer um. Outra é tomar uma decisão IDEOLÓGICA, na surdina, sem nada explicar, e tentar vender a farsa de que… Read more »

Nick

O prefeito foi bem transparente nesssa entrevista. Tudo que ele quer é investimentos na sua cidade. E de brinde, voar em caças supersônicos. 🙂 E deixou vários itens claros: MD quer Rafale , FAB não. Lula queria o Rafale, mas tinha certeza, tanto que acabou não tomando decisão nenhuma. Dilma não tem um opinião formada. E ela tem uma prioridade básica que é arrumar a casa. Adiar em mais um ano, é complicado, mas por outro lado, pode estar aguardando o que vai acontecer no MMRCA na Índia e no Urgent Fury da US Navy. Se acabar pode decidir pelo… Read more »

Nick

errata:

“mas tinha certeza” = “mas NÃO tinha certeza”

[]’s

Ivan

“Marinho reconhece não ter conhecimento técnico sobre os aviões. Afirma estar em busca de investimentos para o município.” O Prefeito de São Bernardo do Campo está buscando investimentos para sua cidade e região, de forma clara e tranparente, com agenda aberta e anotada, com viagem custeada pelos possíveis investidores (segundo ele). No meu entendimento ele está fazendo o papel dele e acredito que seus eleitores aprovam esta sua iniciativa. Agora foi chamado pela Dassault. Deve ir conhecer as possibilidades francesas de investimentos. Se for chamado pela Boeing deve ir a Seatle também. É interessante a declaração do próprio Marinho: “Meu… Read more »

Rodrigo

Grifo disse:
31 de janeiro de 2011 às 11:07

Vc sabe o que ele foi fazer lá? Eu não sei.

O que tem a ver ele prefeito de um importantante centro industrial, com o assunto?

A Dassult Systémmes do Brasil, fica aqui do lado na Berrini e nem por isto eu vejo o Kassab na mídia falando do Rafale. Acredito que o peso do segundo maior arrecadador de impostos do Brasil, tenha mais peso que SBC.

Esta esquizofrenia sueca de vcs atingiu níveis iguais aos dos piores rafaletes que aqui labutaram com as mais imbecis teorias impossíveis e inalcançáveis.

Antonio M

Não vejo esquizofrenia sueca nenhua por aqui. Sem querer depreciar ninguém mas uma coisa é um escritório e outra um a planta fabril com mais de 70 anos no Brasil, de uma cidade como São Paulo, que não tem mais fábricas como antes e que tem agora a tendência maior para serviços e SBC como fabril consolidado e parte do ABCD. Mesmo que as distância não sejam mais o maior problema (Vide a Akaer trabalhando com a SAAB) mas SBC tem suas vantagens. E ainda espero que o Gripen ganhe essa pois se era para o Rafale não estaria acontecendo… Read more »

Antonio M

Qdo governador no RS, Olívio Dutra impediu que a Ford concluísse suas instalações alegando que a renúncia fiscal feita para incentivar a vinda da montadora prejudicaria sendo execrado do poder mas, incentivado e amparado pelo partido. A fábrica se instalou na Bahia, levada pela renúncia fiscal oferecida pelo governado do partido antagônico ao partido de Olívio. Pouco anos depois um govenador pelo PT se elege na Bahia e no ano seguinte, se não me engano, Jacques e LuLLa vão a essa fábrica comemorar os resultados dessa mesma fábrica que na visão de seu partido não servia para o RS, era… Read more »

Antonio M

“…a vinda da montadora prejudicaria a arrecadação futura do estado, foi execrado …”

desculpem

Grifo

O que tem a ver ele prefeito de um importantante centro industrial, com o assunto? Caro Rodrigo, se um dos critérios de avaliação são os offsets industriais, acho que tem bastante a ver. A Dassult Systémmes do Brasil, fica aqui do lado na Berrini e nem por isto eu vejo o Kassab na mídia falando do Rafale. Acredito que o peso do segundo maior arrecadador de impostos do Brasil, tenha mais peso que SBC. O Kassab e os demais prefeitos deveriam se interessar mais pelo F-X2. Se a decisão é política, como disse o ministro, então a pressão política em… Read more »

Antonio M

“…O Kassab e os demais prefeitos deveriam se interessar mais pelo F-X2…”

Sem querer julgar mas, ele e outros parecem se interessar mais no carnaval, na passeata gay pois comparecem, incentiva e a prefeitura/estado oferecem infraestrutura …..rsrsrsr!!!

DrCockroach

Como um dos objetivos do FX-2 (talvez principal) eh fomentar um centro aeroespacial no Brasil, espero que o Marinho seja bem sucedido na empreitada dele de apoiar a proposta que mais folego darah a minguante ind. Brasileira, a competicao serah muito mais ferrenha nos proximos anos.

E, pela entrevista dele, fica claro que ele interferiu p/ evitar que o NJ levasse seu plano adiante de fechar com o Rafale no ano passado. Somente por isso, jah tem seus meritos.

[]s!

LATINO

O Marinho está + do que certo a cidade tem capacidade e estrutura para que seja instalada uma fabrica de componentes para qualquer que seja o vencedor

Apoio o que ele esta fazendo ;ele nunca disse que era entendido do assunto o que ele quer é investimentos e empregos para a cidade ,coisa muito boa …

Melhor ter emprego aqui em são bernado que em paris .

sds