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Lembranças do ‘F-X1′, via WikiLeaks – parte 2

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Com anúncio de vitória da parceria Embraer – Lockheed Martin no programa ACS (depois cancelado) Embaixada dos EUA analisa perspectivas do F-16, rival do modelo da Embraer – Dassault no F-X

Este outro texto do WikiLeaks complementa de forma interessante o que já foi mostrado na parte 1 dessa série “Lembranças do ‘F-X1’ via WikiLeaks (clique no link para acessar). Disponibilizado neste mês de janeiro pela Folha de São Paulo, tem data indicada de 4 de agosto de 2004.

Em meados de 2004, o mercado foi “sacudido” pela vitória do consórcio formado pela Embraer e pela Lockheed Martin para o programa ACS – Aerial Common Sensor, do Exército dos EUA, com grande repercussão na imprensa brasileira.

Mas, como o programa F-X, o ACS também acabaria em nada. De particular interesse é a análise das possibilidades no F-X do então concorrente norte-americano, o F-16 da Lockheed Martin, a partir das “boas novas” do programa ACS. A questão do eventual fornecimento de modelos usados para a FAB começa a aparecer com mais força.

Segue a tradução, adaptação e edição, feita pelo Poder Aéreo

Contrato Lockheed Martin / Embraer

1. Jornais brasileiros, incluindo chamada em destaque na primeira página de 3 de agosto do bastante lido jornal O Estado de São Paulo, chamaram a atenção para a seleção pelo Pentágono da Lockheed Martin – em parceria com a Embraer e a Harris Corporation – para o desenvolvimento e construção da nova geração de sistema aéreo de inteligência, vigilância e reconhecimento das Forças Armadas dos EUA, o the Aerial Common Sensor (ACS).

A Embraer fornecerá a célula, baseada em seu modelo de sucesso ERJ145/EMB 145, já bastante empregado ao redor do mundo, e vai construí-la numa nova linha de montagem na velha Estação Aérea da Marinha dos EUA, do campo Cecil  (Cecil Field Air Station), próxima a  Jacksonville, na Flórida. Os jornais informaram que o pacote total para o ACS varia entre 7 e 10 bilhões de dólares.

2. O contrato está sendo trombeteado pela mídia brasileira como um importantíssimo avanço para a Embraer, quarto maior fabricante mundial de aeronaves. A Embraer já é o maior importador único de componentes aeronáuticos dos EUA e exportador de aeronaves prontas para os EUA.

Mesmo com o envolvimento dos parceiros norte-americanos da Embraer, o contrato representa a mais significativa oportunidade de encomenda já realizada com as Forças Armadas dos Estados Unidos.  E também é visto como um impulso, uma injeção na veia para vendas pontenciais em outros lugares.

3. Comentário: O contrato ACS é uma vitória da tecnologia brasileira e da indústria aeroespacial do Brasil. Porém, enquanto a Embraer e a Lockheed Martin colaboraram de maneria muito próxima para o desenvolvimento do ACS, as duas empresas permanecem em lados opostos na competição para a próxima geração de caças a jato do Brasil, o F-X (Nota: a Embraer é parceira exclusivamente com a proposta do Mirage, da Dassault, na competição).

Uma decisão do F-X por parte do Governo Brasileiro, adiada diversas vezes desde 2002, continua no limbo. Para muitos observadores, isso se deve ao impacto assustador com o preço total de novos caças de alto desempenho. Ainda assim, com a vitória do consórcio Lockheed Martin/Embraer na competição do ACS, as lideranças brasileiras poderiam ver com outros olhos a opção de caças F-16 usados, que são significativamente mais baratos do que novos caças.

FONTE: Folha de São Paulo (clique no link para ver o texto original, em inglês)

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Rodrigo
Rodrigo
9 anos atrás

Na época os arquitetos das teorias da conspiração, afirmavam que o ACS, fora cancelado só para os americanos perversos quebrarem a EMBRAER e impedir o crescimento brasileiro.

Nick
Nick
9 anos atrás

saiu hoje na FSP: “Dilma deixa compra de caças para 2012 Situação fiscal preocupante e dúvida entre os concorrentes pesaram para mais um adiamento das transações Pacote de 36 aviões não sairá por menos de R$ 10 bi; pagamento pode ser financiado, porém exige parcela imediata VALDO CRUZ DE BRASÍLIA IGOR GIELOW SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA ELIANE CANTANHÊDE COLUNISTA DA FOLHA Por conta da situação fiscal preocupante e de dúvidas sobre a melhor opção, a presidente Dilma Rousseff definiu que a compra dos novos caças da FAB pode até ser decidida no fim deste ano, mas qualquer… Read more »

Vader
9 anos atrás

Nick disse: 20 de janeiro de 2011 às 8:14 Em muito boa hora o Lobim parece que subiu no telhado. E parece que não tem nada disso de reavaliar Sukhoi e Eurofighter. Vai ficar entre os três mesmo. Com as chances conforme a ordem de preferência da FAB: Gripen, SH e Rafale. A lógica. Simplesmente a lógica de sempre, econômico-financeira, como muitas vezes alertado aqui por mim e por outros, contrariando as teorias estapafúrdias de Brasil-Potência da vermelhuxada e da americanofobia em geral. Não votei na cidadã e não gosto dela, nem do partido dela, nem da filha dela, nem… Read more »

LATINO
LATINO
9 anos atrás

Tampax a vista de novo .

fx-2 já era ;;e se a economia brasileira não prosperar em 2011 ;nada de caça novos só usados e revisados …..

Que dureza .

Antonio M
Antonio M
9 anos atrás

A Dilma foi intergrante do governo (ou desgoverno?) LuLLA e fará o papel de encobrir os desmandos?

Lamentável….

Agora quero ver se o caldo entornar… e o povão pedir ainda benção para o “padinho” …e a “madinha” …

Antonio M
Antonio M
9 anos atrás

Mas no final quem paga as contas?

Os políticos já garantiram um belo aumento para si próprios, o bolsa-família não pode acabar senão, acaba a grande máquina de votos…

Adivinhem quem paga a conta ?!?!?!?

klesson
klesson
9 anos atrás

Acredito que esta geração de caças que estamos adiquirindo, sem lá quem for o fornecedor, é uma geração perdida, uma vez que todos estão prontos, mesmo o Gripen NG, ainda na prancheta, está pronto, poucas alterações no projeto poderão ser feitas. O que importa é a próxima geração, quando, as reais necessidades do Brasil, com o aprendizado da nova doutrina influenciará diretamente no projeto da nova geração, isto, se não repetirem os exemplos do Xavante e AMX, em que os projetos em muito pouco foram melhorados e não continuados. Esta cultura de comprar para abreviar etapas é muito mais despendiosa… Read more »

Antonio M
Antonio M
9 anos atrás

Estou indignado e não é somente por causa do problema da defesa, pois a FAB conseguirá com o esforço que já faz a algum tempo voar seus F5M e manter um padrão ao menos mínimo mas, e a tal TT que poderia gerar benefícios para a economia, como empregos e aquisição de know-how ? Isso não vale nada?

Que merd…. que porcaria de visão tem essa classe política?

Antonio M
Antonio M
9 anos atrás

E como já foi dito aqui, não me lembro quem, há o problema do R$ forte que acaba emperrando a economia por causa das exportações.

Se adquirirmos os caças à vista com o dinheiro das reservas, não seria melhor do o governo a todo momento comprar dólares para forçar sua baixa? Comprar os caças e/ou firmar a parceria faria com que esse gasto fosse uma “compra de dólares” e isso ajudaria a desvalorizar o R$.

Não é possível que isso seja uma absurdo….

Antonio M
Antonio M
9 anos atrás

Caro Klesson, Para a FAB não sei até onde o Xavante e AMX foram um problema tão grande. Os Mirage III seriam em tese mais problemáticos devido a logistica e voarm por mais de 30 anos, moldando a doutrina da FAB. Os Xavante e AMX custaram caro mas a Embraer não seria o que é hoje (mais a parceria com a Northrop para as partes do F5) sem a tecnologia adquiriada com fabricação dos dois. Foram investimentos da década de 70 que rendem frutos até hoje, são décadas !!! Infeliz é a visão da nossa classe política! É visão de… Read more »

klesson
klesson
9 anos atrás

Caro Antonio M. É exatamete este o ponto. A relação custo/benefício do desenvolvimento do Xavante e AMX rendem frutos à Embraer e tantas outras empresas até hoje, e esses projetos “não renderam” novas versões melhoradas. Só para exemplo, foi visto aqui mesmo no blog aéreo, os projetos da Embraer de treinadores avançados para substituir o Xavante. Os projetos atuais, MB3450, Yak130 e T50, assemelham em muito o design e desempenho daquele projeto. No caso dos Mirage, foi um mal necessário. Na época, não tinhamos interceptadores, o EUA “nos negou” o Phanton II, e restou o Draken e o Mirage III.… Read more »

Alexandre Galante
Reply to  klesson
9 anos atrás

Prezado Klesson. Não há mercado para uma turbina nacional, este é o problema. Veja quantos problemas a Índia está tendo para desenvolver o Tejas. Para desenvolver uma solução brasileira semelhante ao Tejas, teríamos que investir uma soma de dinheiro gigantesca e ainda levaríamos muito tempo. O gancho que a FAB está usando para obter seus novos caças é justamente a questão da transferência de tecnologia para a indústria nacional. Se não houvesse esse argumento, a compra desses caças sequer seria considerada pelo governo. Para comprar 36 caças de quarta geração estão enrolando há 15 anos, imagine para se desenvolver um… Read more »

klesson
klesson
9 anos atrás

Caro Galante, Acredito que todos nós aqui no blog, gostariamos de ver o nosso país em melhores condições do que vemos atualmente. E é que ele já esteve em bem piores condições. Posso até considerar a questão de mercado,mas, não podemos perder mercado por causa de um fornecedor que não quer seus produtos em país tal. Estamos presenciando 15 anos de enrolação para uma decisão, que tecnicamente já foi tomada. Vimos também, 14 anos para construir uma Corveta. E, se estendermos mais, poderiamos passar dias e dias e não termináriamos. A Índia, como em matéria no blog, assim como recentemente… Read more »

Alexandre Galante
Reply to  klesson
9 anos atrás

Klesson, você sabe qual o tipo de turbina nós importamos para equipar o Bandeirante, o Xingu, o Tucano e o Super Tucano? Pois é, por que até hoje não fabricamos nada desta turbina e continuamos importando? Se até hoje a PT-6 não foi nacionalizada, não será um projeto do zero que dará certo no Brasil.

Por que não nacionalizamos até hoje a velha turbina do F-5, que apesar da idade, é um ótimo projeto?

A China, conseguiu nacionalizar 100% da turbina Rolls-Royce Spey que nós usamos no nosso AMX. Pesquise qual o percentual da turbina que fabricamos…

klesson
klesson
9 anos atrás

Galante,

Para completar, na recente visita do Senador McCain, ele foi explícito, que a Transferencia de Tecnologia seria para contrução e uso no Brasil dos F18, e não para exportação dos produtos. Ou seja, em caso de venda, será necessário autorização americana. Para mim, esta quarta geração está perdida é só aprender e agaurdamos a próxima.

Alexandre Galante
Reply to  klesson
9 anos atrás

Klesson, até aí não tem novidade. Até para exportarmos Super Tucano, precisamos de autorização americana.

klesson
klesson
9 anos atrás

Foi o eu quis dizer nos comentários anteriores, mas você tocou em um ponto importante, o mercado, e somada a falta de visão, é a estagnação da população que depende de quem se aproveita da situação. No caso da China, tenho minhas reservas, pois, foi um modelo errado que deu certo. O mercado chinês é grande e sedutor, mas uma areia movediça. Em todo negócio com eles se ganha 100 e se perde 1000. Nem seus “aliados” mais próximos aguentam. Ele clonam da agulha ao avião. Quanto ao que você falou, acredito que se não desenvolvemos, nós compramos, nos sujeitamos,… Read more »

Tadeu Mendes
Tadeu Mendes
9 anos atrás

Nao ha visao estrategica nao Brasil. Estao pagando o preco do desgaso para com a educacao, pesquisa pura e aplicada. O pouco dessa visao, tinham os militares nos anos da Ditabranda. Se nao fosse por eles nao teriamos Embraer, Engesa, CTA, ITA, IME, Energia Nuclear, contrucao naval, etc, etc, etc. Tenho 56 anos. Tinha 10 anos em 1964, e me lembro muito bem do Brasil antes da revolucao, e da transformacao de uma nacao predominantemente agricola em semi industrializada nos anso 70, ate chegar ao patamar em que nos encontramos hoje. Se os sucessivos governos civis tivessem dado continuidade a… Read more »

Ivan
Ivan
9 anos atrás

Tadeu, Realmente foi off topic e deve continuar off topic. Mas as coisas não foram assim tão brandas como vc pinta, pois ditadura é ditadura, mesmo que no Brasil muito menos sangue tenha corrido do que em outras partes. A sorte é que tinhamos mais homens justos e de visão humanitária que em outros países. Mas não é possivel negar o DOPS, DOI-CODI e outros que é melhor não enumerar. Outra ponto. A ditadura militar pegou uma época de crescimento econômico que poderia ter feito muita mais, como outros que conhecemos, mas suas idéias e ideais positivistas atravancaram a participação… Read more »

Ivan
Ivan
9 anos atrás

Aos Editores,

Como os assuntos acima são efetivamente off topic, fiquem a vontade para deletar sem mais delongas ou explicações, caso entendam ser necessário.

Respeitosamente,
Ivan.

Rodrigo
Rodrigo
9 anos atrás

Alexandre Galante disse:
20 de janeiro de 2011 às 15:09

Vou um pouquinho mais além.

O Lycoming da série O-3X, é o motor aeronáutico mais utilizado no Brasil, em mais ou menos 4000 unidades em aviões e helicópteros.

É a pistão, aqui não se fabrica uma ruela dele e não é por falta de mercado.

Achar que vamos nacionalizar ou fabricar um motor a reação de forma simples não tem conexão com a realidade.

Se começar hoje e sem interrupções por falta de grana eu estimo em 20 anos.

Tadeu Mendes
Tadeu Mendes
9 anos atrás

Caro Ivan,

Lamento porque nao queria enfocar o aspecto repressivo desses tempos.

Sou contra os excessos cometidos pelos dois lados. Minha observacao foi no intuito de mostrar uma clara diferenca entre dois Brasis; o predominantemente agricola e a industrializacao do mesmo.

Esse e um tema que divide, mas estamos aqui para unir e nao dividir.

Por favor aceite minhas desculpas.