Home Estratégia ‘O poder de um país será medido pelo seu Poder Aéreo’

‘O poder de um país será medido pelo seu Poder Aéreo’

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A frase do título é de Alexander P. Seversky (1894-1974), aviador militar russo nascido em Tbilisi no dia 7 de Junho de 1894. Combateu na I Guerra Mundial como aviador naval.

Após a revolução comunista, refugia-se nos Estados Unidos. A naturalização americana acontece no ano de 1927.

Ele patenteou o primeiro reabastecimento em voo e projetou a primeira alça de mira giroestabilizada, que vendeu para o Governo Americano.

Com o dinheiro da venda da alça, ele fundou a Seversky Aero Corporation, que depois acabou virando a Republic Aviation Corporation, que projetou e produziu o P-47 Thunderbolt.

É autor em 1942 de “Victory through Air Power” e de “Air Power: Key to Survival”, publicada no ano de 1950.

Ideias-Chave de Seversky

O domínio do ar é uma condição necessária, mas não suficiente, quer para vencer, quer para resistir. É necessário buscar a supremacia aérea. O principal objetivo seria bloquear e destruir as retaguardas do inimigo e não os exércitos inimigos; era necessário “secar a fonte”.

Segundo Seversky, a inoperacionalidade das retaguardas abria caminho para uma eventual situação de paz.
O bloqueio e a destruição das retaguardas seria assegurado de forma mais eficaz, a partir do ar; assim o bloqueio de uma Nação convertia-se numa função do poder aéreo.

Seversky advogava o bombardeio de precisão e considerando a principal finalidade da utilização da arma aérea (retaguardas). Dizia que os alvos devem ser selecionados.

Os grandes bombardeios das retaguardas efetuados de forma indiscriminada (ex. grandes cidades), não seriam a forma adequada para se atingir outra das suas finalidades: a destruição da moral do inimigo.

A defesa contra os bombardeios estratégicos não reside no espaço aéreo relativo às regiões atacadas, mas sim na destruição da ofensiva aérea inimiga nos seus pontos de origem.

Ele defendia a necessidade de independência da aviação, dizendo: “o poder de um país será medido pelo seu poder aéreo”.

Seversky tinha a opinião de que os EUA “estão particularmente preparados para triunfar pelo domínio do ar”.
Ele tinha a imagem de uma guerra de posições muito distantes umas das outras, mas que integravam no seu dispositivo armamento de longo alcance.

FONTE: Os Teóricos do Poder Aéreo – Douhet e Seversky – Aula 28 de Teoria da Estratégia, Dr. Pedro Ferreira da Silva – Univerdade Independente, Portugal

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Craveiro
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Craveiro

É um fato incontestável.

Craveiro
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Craveiro

A questão é criar e desenvolver tecnologia. E isso é uma questão de Estado. Para tanto é preciso que este apoie tanto a porção acadÊmica (ensino, pesqusa e extensão) como a industrial (leis, subsídios etc).

POderiamos ter aproveitado a experiência do AMX e desenvolvido uma aeronave melhor, com maiores capacidades de armamento, sensores e maior carga paga?

Começar neste caminho era para ontem.

Craveiro
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Craveiro

Certamente os trÊs contendores da disputa pelo FX2 oferecem algo em relação a TOT. Mas penso que não serviria para criarmos uma aeronave FX2BR.

O Xavante se foi. Poderiamos ter desenvolvido uma aeronave da categoria do Macchi 346 (é isso mesmo) mas não. Sim, há a questão de escala etc etc etc. Mas poderíamos ter feito um acordo com mais dois ou trÊs países. Fácil não seria. Nem barato. Mas penso que seria possível. Mas…

Craveiro
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Craveiro

Talvez devessemos comprar sem TOT um caça e participar de um desenvolvimento como o coreano. O assunto já foi tratado aqui em vários momentos.

Sim, não, talvez?!

Craveiro
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Craveiro

Enfim, nosso poder aéreo teve uma leve elevação com os F5M. Mas eles são limitados. E o horizonte não é azul. É inacreditável que um governo, o de antes e o de agora, não consiga tratar profissionalmente esta questão de reaparelhamento da FAB. Reaparelhamento da CAÇA.
São duas as questões cruciais: a gigantesca demora e a ingerÊncia do GF na escolha.

Abrivio
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Abrivio

‘O poder de um país será medido pelo seu Poder Aéreo’

Estamos lascados.

Alexandre Galante
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Lembramos aos leitores que devem manter os comentários dentro do tópico. O assunto aqui é o pensamento de Alexander P. Seversky. Para discutir F-X2 temos outros tópicos.

Abrivio
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Abrivio

Não dá pra ser em incompetência ou corrupção?

Soldier
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Soldier

Não precisamos de Forças Armadas…

Afinal, não seremos atacados. Já escrevi o motivo em outras matérias…

Craveiro
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Craveiro

Desculpe Galante, minha ideia não é falar sobre o FX2.

Se os governos anteriores, “desde sempre”, tivessem tido uma atenção mínima ao poder aérea brasileiro estaríamos menos passos atrás. Isso poderia ter sido feito tanto com compras como com ao desenvolvimento de tecnologia.

Mas vivemos num país de políticos, onde interesses imperam em relação aquilo que deve ter uma atenção pragmática.

Tivemos um exemplo próximo de nós no início da década de 80. Os ingleses venceram a guerra porque dominaram os céus.

Edu Nicácio
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Greatest Air Forces (opinião pessoal do cara): http://www.abovetopsecret.com/forum/thread74749/pg1 1 US. Just no argument here. With a good pool of war-trained pilots, the unmatched ability to project power globally, and excellent hardware, the US is the one to beat. 2 France. France has one fleet carrier (despite its problems) and a proven history of knowing how to use them. They also have a strategic bomber force–sure, it’s Mirage 2000s armed with cruise missiles, but it’s there. Both the Aeronavale and the Armee de l’Air have a reputation for competence. They also have AWACS. 3 UK. Just behind the French because of… Read more »

Giordani RS
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Giordani RS

“Craveiro disse: 7 de dezembro de 2010 às 13:20 A questão é criar e desenvolver tecnologia. E isso é uma questão de Estado. Para tanto é preciso que este apoie tanto a porção acadÊmica (ensino, pesqusa e extensão) como a industrial (leis, subsídios etc). POderiamos ter aproveitado a experiência do AMX e desenvolvido uma aeronave melhor, com maiores capacidades de armamento, sensores e maior carga paga? Começar neste caminho era para ontem.” Em solo tupiniquim nunca houve interesse em criar algo. Se assim fosse, o Xavante jamais tería passado toda a sua vida da mesma forma que começou! E o… Read more »

Ricardo - BH
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Ricardo - BH

A idéia-chave do autor, de buscar a supremacia aérea, é inquestionável. Acontece que os meios que se dispunha em 1945/1950 (quando expôs suas idéias) para se alcançar esse objetivo, se limitavam basicamente ao avião. Um avião de supremacia aérea (F-35, F-22, PAK-FA, etc.) continua sendo importante, mas não é mais o único meio de se alcançar isso. A utilização militar da informática abre um leque de opções: satélites espiões, satélites geoestacionários armados com mísseis, aeronaves não tripuladas, mísseis balísticos de precisão, etc. A destruição das fontes de suprimento na retarguarda do inimigo poderão ser feitas por submarinos ou navios da… Read more »

Craveiro
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Craveiro

Giordani RS disse:
7 de dezembro de 2010 às 14:01

Exploramos apenas o mínimo do que as aeronaves ofereceram e por um longo tempo.

Tivessemos feito um MLU ao menos duas vezes o adestramento da Força seria completamente outro. Mas…

jefersoneloi
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jefersoneloi

“Poder de um pais sera medido pelo seu poder-aereo”
Com certeza Lula não conhece essa frase!!!
Pois sem temos um caça moderno jamais teremos uma influência regional, porque estamos atrás da Venezuela com seus Su- 30!!!
E para ter um agente permanente no conselho de segurança e preciso poder aereo!!!No minimo!!!!!
Sarkozy disse no 7 de Setembro de 2009 que era afavor do Brasil com um agento permanente!!!!!!!Mais não comprando caça perde o favor!!!!
Olha pra os outro Japão, Alemanha e India !!!!!!!!!!Eles sim podem !!!!Só olhar o poderio áereo deles!!!!!!!!

Augusto
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Augusto

A idéia da supremacia aérea era fundamental à época dos doutrinadores citados nestes dois posts, mas hoje certamente a supremacia estratégica recai sobre os submarinos, notadamente os de propulsão nuclear. Isso não quer dizer, claro, que o poder aéreo não seja fundamental.

Ricardo - BH
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Ricardo - BH

Creio também que o autor se referia a derrotar um país inimigo utilizando-se de meios “convencionais”.
Na época que ele expôs seus pensamentos, os EUA tinham acabado de vencer seus inimigos numa guerra mundial utilizando a bomba atômica. Aquilo deve ter chocado a opinião pública, tanto que o autor nem faz menção ao uso dela.
Portanto, naquela época, o correto seria dizer que o poder de um país será medido pelo seu arsenal atômico, assim como também o é hoje em dia.

Alexandre Galante
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Quantas guerras nucleares tivemos depois de 1945 e quantas guerras convencionais?
E quantas das guerras o Poder Aéreo foi predominante na obtenção da vitória?

Craveiro
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Craveiro

Zero nucleares, felizmente.

Bom Galante, citei a das Falklands/Malvinas, mas também as do Yon Kippur e a dos seis dias, a do Vale do Bekaa. Em todas elas o elemento aéreo fez prevalecer o resultado final, acredito.

Além da do Golfo e a invasão do Iraque…

grifo
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grifo

A guerra do Kosovo foi inteiramente vencida pelo poder aéreo. As tropas terrestres da OTAN somente entraram em território inimigo após a rendição da então Iugoslávia.

CJay
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CJay

Sem dúvidas o poder aéreo é fundamental, mas no nosso caso, a primeira linha de defesa é a marinha … depois a arma aérea e por último, se ainda quisermos lutar, o poder de chão ! Essa é a lógica – o primeiro confronto vai ser no mar, depois no ar e depois a guerra vem até nós ! O resto é “balela”.

Alexandre Galante
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Member

Cjay, é por isso que nossa Marinha persegue a manutenção de um Poder Aéreo próprio e que vá longe.

CJay
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CJay

Ah, existem também fatores que os “analistas de super trunfo” pouco consideram: dimensão do território, dificuldade do clima, do relevo, distância da base atacante, poder econômico (esse sim fundamental), vontade (moral) do país atacante e do defensor e outros fatores que derrotaram os grandes conquistadores da história. Tudo se resume no custo/benefício. Compensa atacar? O que vamos obter? Qual o custo? Existe possibilidade de “troco”?

Daniel Rosa
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Daniel Rosa

Conquanto a superioridade aérea não ganhe por completo uma guerra hoje em dia (tome como exemplo o conflito do Vietnã), um exército sem uma devida cobertura aérea sofrerá baixas mastodonticas…
Acho que temos muito o que aprender ainda com relação a operações conjuntas, mas o “mocinho” ai em cima tem uma certa razão…, muito embora superioridade aérea não signifique superioridade terrestre, ou no teatro de operações como alguns preferem….

Phacsantos
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Phacsantos

CJay disse:
7 de dezembro de 2010 às 15:17

É isso aí……

Ozawa
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Ozawa

Seguindo a tese do Cjay e Galante, considerando o poder naval como primeira linha de defesa aérea, e ainda os recursos disponíveis e potenciais de nossa MB, não seria mais lógico uma formação de escoltas com robusta capacidade de dissuasão aérea como as Type 45 ? Mesmo que hipoteticamente tenhamos uma arma aeronaval mais crível, com aeronaves A4 modernizadas, etc…, ou mesmo uma versão naval do FX2, quem quer que seja, atingiremos com ela uma capacidade de contenção de tal ordem ? Creio que apenas países como EEUU e, talvez, Reino Unido possam ter na arma aeronaval tal capacidade, e… Read more »

CJay
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CJay

O poderio aéreo é fundamental para um embate convencional … ao menos uma superioridade no local do confronto é necessária para que as operações possam ter alguma possibilidade de sucesso. Quanto a esquadra de superfície, mesmo com uma forte defesa antiaérea ela fica vulnerável se não tiver cobertura aérea. É a ala aérea a primeira linha de defesa da força naval. Isto foi mostrado na II Guerra e é válido até os dias de hoje. E quanto maior o alcance da ala aérea, maior o “circulo” defensivo da esquadra. OU ofensivo, caso queiram. Mas dissuação verdadeira é com os submarinos… Read more »

Otus scops
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Otus scops

ao Poder Aéreo

quem será este meu conterrâneo, professor de uma universidade medíocre que foi compulsivamente encerrada por ordem ministerial em 2007???

Carlos André
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Carlos André

Pode já ter ocorrido e não peguei, mas seria legal ter um topic p/ os teóricos do Poder Naval quando o blog voltar!
Com Mahan, Aube, Corbett, Richmond…