Senadores querem audiência pública com ministro para explicar compra de caças para a Força Aérea Brasileira

vinheta-clippingBRASÍLIA – A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado aprovou nesta quinta-feira, 4, um convite para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prestar esclarecimentos sobre a compra de uma nova frota de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ideia de realizar uma audiência pública sobre o assunto foi dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da CRE. Na condição de convidado, o ministro Nelson Jobim pode decidir se vai ou não participar da audiência proposta pela comissão. É prerrogativa do ministro indicar uma data disponível em sua agenda para participar do encontro.

A comissão também aprovou requerimento para convocar o ministro a dar explicações aos senadores sobre divergências no Programa Nacional de Direitos Humanos. O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, também deverá ser convocado. A comissão quer explicações sobre o programa, que enfrentou críticas de setores militares no ponto em que trata da apuração de casos de violação de direitos no regime militar.

A polêmica em torno do programa F-X2, de renovação da frota da FAB, se arrasta há meses e tomou fôlego após um recente vazamento de um relatório confidencial da FAB que apontava preferências dos militares pelos caças suecos Gripen NG, fabricados pela Saab, na contramão da orientação do governo pelos caças Rafale. Assessores do presidente Lula já dão como certa a escolha dos Rafale. Entre as possibilidades analisadas pelas Forças Armadas também está o F-18 Super Hornet, da fabricante norte-americana Boeing.

“Da mesma forma que a escolha da melhor opção seja prerrogativa do Poder Executivo, permitindo-lhe contrariar o relatório e ficar com concorrente que mediante as três propostas apresentadas ficou em 3º. lugar, é prerrogativa regimental da CRE o papel de acompanhar e tornar mais transparente para os parlamentares e para a sociedade as negociações envolvendo a aquisição dos aviões caça”, afirma o requerimento, assinado pelo senador Eduardo Azeredo.

FONTE: Estadão / Agência Brasil

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20 Comentários to “Senado convida Jobim para falar de compra de caças e PNDH”

  1. ZE disse:

    É isso aí! Em qualquer país SÉRIO do mundo, há discussões no legislativo acerca da defesa e da compra de material bélico.

    É mais do que desejável o legislativo debater temas tão sérios para o nosso país.

    É desejável, diria obrigatório, que a sociedade civil debata tais temas.

    Espero que o Minitro se digne a ir.

    Espero que a TV Senado transmita a audiência.

    []s

  2. Alexandre G.R.S. disse:

    Prezados,

    Independente do escolhido, isso virou disputa politico/ideologica.
    Os tupiniquins não aprendem mesmo…

    Sds.

  3. MN-QS disse:

    Estava lendo os posts aqui do blog e resolvi dá uma pesquisada numa estante velha aqui em casa e acabei por encontrar uma Revista Força Aérea (Ano 03, Nº 12, Set/Out 1998, páginas 12 e 14) onde há uma entrevista com Serge Dassault, na época presidente da Dassault Aviation. Eis alguns trechos da entrevista:
    “…RFA – Nos últimos anos deste século, construir aeronaves de combate se tornou uma atividade tão cara que até os governos das economias mais poderosas encontram dificuldades em justificá-la. A solução encontrada pela a maioria das nações do Grupo dos Sete tem sido a de promover junções de suas principais empresas a fim de fortalecer suas bases industriais. O que, na sua opinião, acontecerá nos próximos anos com a indústria aeroespacial francesa, e o que acontecerá com a indústria aeroespacial européia como um todo?
    M. Serge Dassault – É verdade que os aviões estão atingindo preços de venda unitários mais altos do que no passado, já que estão equipados com meios possantes e de forte valor agregado em tecnologia, o que exige investimentos consideráveis. Os aviões modernos devem ser fortemente armados e equipados com sistemas de proteção eletrônica extremamente sofisticados. O desenvolvimento de um avião como o Rafale custará 35 bilhões de francos em 10 anos, ou seja 3,5 bilhões por ano. Estes 35 bilhões de francos podem ser comparados ao equivalente de mais de 100 bilhões de francos que terão custado aos quatro países associados o desenvolvimento do Eurofighter; uma aeronave que ainda não está no ponto. Portanto, se analisarmos as fusões industriais na Europa, os dois erros que não devem ser cometidos são o de subestimar o fator nacional e o de negligenciar a especificidade tecnológica. A Dassault Aviation não esperou as condições políticas muito em moda na época para realizar os programas tecnológicos e industriais em cooperação com parceiros britânicos ou alemães, como no caso do Jaguar, do Alpha Jet ou do Atlantic e que hoje representam mais de mil aviões vendidos em cerca de 20 países. No que diz respeito à Dassault Aviation, dominamos tanto a tecnologia como a experiência de cooperação…”
    Destaco aqui nessa primeira parte: “…os dois erros que não devem ser cometidos são o de subestimar o fator nacional e o de negligenciar a especificidade tecnológica…” e “No que diz respeito à Dassault Aviation, dominamos tanto a tecnologia como a experiência de cooperação…”
    Continuando:
    “…RFA – Uma das críticas mais comuns às aeronaves francesas é a sua dependência aos equipamentos de apoio também franceses. A maior parte dos aviônicos, dos sistemas de armas e outros importantes componentes interagem unicamente com as barras de dados fabricadas na França. Esta situação está mudando? Ou os produtos franceses continuarão dependendo da comunalidade com o software fabricado no país?
    M. Serge Dassault – Trata-se de uma grande força da nossa indústria aeronáutica a capacidade de dar a seus clientes a possibilidade de se equipar totalmente na França. Mas isso não impede que estendamos a concorrência a outros fornecedores já que nossos aviões podem perfeitamente utilizar standarts não franceses, como, por exemplo, os da OTAN. Normalmente, nossos clientes estrangeiros privilegiam a aquisição de armamentos franceses quando pensam em equipar as aeronaves que compram de nós, pois trata-se de uma escolha soberana de independência e que já demonstrou sua segurança e sua eficácia. Mas, novamente, cabe ao cliente fazer a sua escolha sabendo que ele pode contar com nossa flexibilidade…”
    Eu acho muito difícil, um software desenvolvido usando o vocabulário francês (mesmo usando linguagens de programação em inglês) ser transferido para se adequar aos mísseis da Matra, Rafael ou da sul-africana Denel, por exemplo, se for necessário. Essa conversa de TT, se não for bem definida, principalmente no que diz respeito aos fontes, não ocorrerá e será exatamente como disse o Brigadeiro R1 Teomar Fonseca Quírico na carta em que comenta sua experiência vivida com os Franceses. Além disso , quem manda atualmente na Dassault, Charles Edelstenne, tem ficado em silêncio…É bom mesmo o Congresso começar a fiscalizar, se não teremos várias “rainhas de hangar” como já falaram alguns por aqui.

  4. Alexandre G.R.S. disse:

    Prezado ZE

    Debater sim. Fazer guerra politica não.
    Venhamos e convenhamos, muita gente ve nisso uma oportunidade, enquanto a defesa fica em segundo plano.
    Fosse o escolhido qualquer outro, aconteceria o mesmo.
    Nós não aprendemos com os nossos erros.

  5. É comum a preocupação de certo legisladores, são cifras altissímas, comum que chame atenção da politicagem

  6. João disse:

    Aih pessoal, essa é fresquinha:

    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010, 17:55 | Online

    Oferta da Boeing não tem precedentes, diz embaixador

    DENISE CHRISPIM MARIN – Agencia Estado

    BRASÍLIA – Ao entregar suas credenciais de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon reforçou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a escolha do caça FX18 Super Hornet da Boeing, na concorrência aberta pela Força Aérea Brasileira (FAB), envolverá uma oferta de transferência de tecnologia “sem precedente” e a elevação do grau de confiança de Washington para com Brasília. “A oferta americana não tem paradigma. Isso demonstra a nossa confiança no Brasil”, afirmou. “Estamos dispostos a dar passos com o Brasil que, no passado, não pudemos dar.”

    Shannon sustentou sua expectativa de que a Boeing ainda possa ser a escolhida baseado nas declarações dos ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores, e de Nelson Jobim, da Defesa. Os dois negaram que a francesa Dassault tivesse vencido a concorrência por ter reduzido em US$ 2 bilhões o valor total de venda dos 36 jatos requeridos pela FAB.

    Indiretamente, Shannon concordou que a “franqueza é sempre bem-vinda na diplomacia” e que essa premissa não foi observada no processo de escolha dos caças da FAB. Por duas vezes durante a entrevista, insistiu que a concorrência tem caráter estritamente comercial e que um resultado desfavorável à Boeing não afetará as relações de amizade e de aliança de seu país com a França ou a Suécia. Mas não chegou a incluir o Brasil nessa pequena lista.

    Indicado para a embaixada no Brasil pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em maio de 2009, Shannon obteve o necessário aval do Senado americano para assumir o posto somente no final de dezembro passado. Ele passou a atuar oficialmente como embaixador em Brasília a partir de hoje, ao entregar as cartas credenciais ao presidente Lula. Como seu antecessor, Clifford Sobel, deixara o País em agosto passado, boa parte do lobby americano em favor dos jatos de combate da Boeing foi prejudicada ao longo dos últimos seis meses.

    “A relação Brasil-EUA é importante demais para que a ausência do embaixador americano venha a atrapalhar. Mas essa ausência não ajudou”, admitiu Shannon.

    Em setembro passado, o governo brasileiro anunciou sua preferência pelo Rafale, da Dassault. No mesmo mês, o Comando da Aeronáutica entregou a Jobim um relatório no qual apontara sua preferência pelos caças Gripen, da companhia sueca Saab. Em uma escala, a FAB havia colocado o F18 Super Hornet no segundo lugar e o Rafale, no terceiro e último.

    Nas próximas semanas, o governo americano promoverá uma demonstração real das habilidades do F18 no Rio Janeiro, durante uma operação conjunta das Forças Armadas dos dois países. Para tanto, o porta-aviões Carl Vinson, da Quarta Frota, se deslocará do Haiti para o Brasil.

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oferta-da-boeing-nao-tem-precedentes-diz-embaixador,506499,0.htm

  7. Mauro disse:

    Off Topic:
    Saiu na Veja:
    “Nas próximas semanas, o governo americano promoverá uma demonstração real das habilidades do F18 no Rio Janeiro, durante uma operação conjunta das Forças Armadas dos dois países. Para tanto, o porta-aviões Carl Vinson, da Quarta Frota, se deslocará do Haiti para o Brasil.”
    Será verdade?

  8. Eduardo disse:

    Olha o lobby ai gente!
    hehehehe é incrivel. Nuna ninguem faz nada, quando vem alguem e faz os animos ficam exaltados.
    Quer saber, que venha mesmo o engodo viking, e o que o Chile compre Eurofigther e F-35´s …
    As vezes tenho VERGONHA de ser Brasileiro… país do futuro uma ova.
    Enquanto essa cambada não for embora sempre seremos atrasados.
    Temos a chance de ter uma das aeronaves mais modernas do mundo, com potencial de desenvolvimento de muitos anos para preferirmo o engodo viking que,tem mais componentes americanos que qualquer outro… A FAB na verdade nunca se livrou d estigma de ser bucha de canhão do tio sam…
    Paizinho de bosta mesmo…

  9. João disse:

    Será que o ilibado Eduardo Azeredo tá tão bem intencionado mesmo?

  10. Eduardo disse:

    João

    é claro que ele está! tanto quanto o bolso dele e a campanha do ano que vem toda ela já paga!!!

  11. João disse:

    E de verba de campanha ele entende!

  12. Eduardo disse:

    E tu sabes o que é o pior? ele foi eleito para isso… pessoas votaram nele…

  13. João disse:

    Pra quem acha que o FX2 tá decidido (inclusive eu):

    “O americano tem mesmo muita experiência com temas espinhosos. Em 2002, enquanto o mundo despejava desconfiança sobre o futuro do Brasil com a perspectiva da eleição de Lula, um presidente de esquerda que assumiria o governo pela primeira vez, Shannon atuava nos bastidores da Casa Branca, estabelecendo contato entre o então presidente americano, George W. Bush, e o futuro governante brasileiro”.

    http://noticias.r7.com/internacional/noticias/novo-embaixador-dos-eua-no-brasil-e-especialista-em-questoes-espinhosas-20100204.html

  14. candelabro disse:

    Tudo isso só serve para arranhar mais a imagem do Brasil,visto como foi o “fx da marinha” cada vez mais penso o que nem passava pela minha cabeça,o senhor Juniti Saito não tem voz para a FAB.

  15. RoninSnkShit disse:

    Queria ver ele explicar as novas vagas de emprego do Gripen (22 mil) contra o do Rafale (2,5 mil)

  16. Eduardo disse:

    Queria ver ele explicar as novas vagas de emprego do Gripen (22 mil) contra o do Rafale (2,5 mil)

    22 mil vagas??????????? ó meu deus.. a coisa é pior do que eu pensava…

    “ai esta terra ainda vai cumprir seu ideial.. ainda vai tornar-se um império colonial!”

  17. Rafael disse:

    Alguns dados não me párecem certos, na minha infinita ignorancia, acho muito grande a diferença de geração de empregos entre a SAAB e a Dassault, como tambem acho muito grande a diferença de preços entre ambos…Há algo de podre nos poderes de Brasilia.De novo, na minha infinita ignorancia o Super Hornet não era sequer uma opção nessa licitação, os EUA possuiam avioes melhores e mais modernos, poderiamos ter colocado russo( Su-35 ou Pak-fa) como alternativas e não descartar pura e simplesmente. O governo fez esse processo para acobertar a descarada preferencia pelo Rafale, só que a maracutaia foi tão mal feita que chegou no fim com 8 ou 80 em todos os sentidos.

    Mais um vez, na minha infinita ignorancia.

    Abs aos amigos do blog que continuem noticiando o Fx-2 ate o ultimo momento mantendo sua imparcialidade e boa fé.
    “Quando homens de bem se omitem o mal prevalece”

  18. Lobo disse:

    ZE com o devido respeito o congresso discute o FX-2, houve no ano passado uma série de questionamento às autoridades envolvidas no processo e até representantes estrangeiros.

    Veja no site: http://www2.camara.gov.br/comissoes/credn

    Boa sorte amigão.

  19. ZE disse:

    Lobo em 04 fev, 2010 às 19:10

    Eu sei. Inclusive tive a oportunidade de escutar o áudio.

    Caro Lobo, o que eu disse é que todos devemos debater um tema tão importante, incluindo aí o Congresso nacional (Câmara dos Deputados + Senado Federal).

    Devemos, não só debater nas Comissões Temáticas, mas também no Plenário de cada instituição, tamanha a importância do tema.

    []s

  20. Theo Gatos disse:

    Acho que o poder legislativo (nosso representante entre as “forças” que compõe a república) tem sim (assim como todo o povo brasileiro) o direito de indagar o ministro (representando o poder executivo) sobre a compra de caças e outros equipamentos, MAS me nego a acreditar que a convocação do ministro tem motivação tão nobre quanto exercer este direito ou defender o interesse do povo e do Estado.

    Acho que eles querem é mesmo dar o recadinho para o que o governo não esqueça do deles na hora de distribuir o bolo se não eles ameaçam melar o acordo (para isso todo o teatrinho, caso contrário eles teriam convocado o ministro no momento de decisão de abertura do FX-2)…

    Faz tempo que a casa em questão carece de representantes que realmente amem e se interessem pelas questões do seu país acima dos interesses pessoais de cada um…
    Desculpem pelo desabafo, como diz o ditado “fez a fama deite na cama”

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