Por que a Grécia não vai adquirir novos caças?

vinheta-clippingO parlamento grego aprovou anteontem o Orçamento de 2010 com o objetivo de reduzir o deficit público de 12,7% para abaixo de 9,4% do PIB no ano que vem e restabelecer a confiança na economia, que se mostrou uma das mais frágeis na zona do euro ao longo da crise global.

A peça prevê aumento na arrecadação e corte brusco nas despesas do governo.

“Não adianta tomar aspirina para lidar com esse problema. Temos que mudar o rumo”, disse o premiê socialista George Papandreou, eleito em outubro passado.

Ele atribuiu as dificuldades financeiras do país à sonegação de impostos e gastos elevados do governo.
Para tentar equilibrar as contas, o país vai contrair empréstimos de cerca US$ 77,5 bilhões em 2010 para cobrir o deficit fiscal e refinanciar suas dívidas, disse o vice-ministro de Finanças Philippos Sachinidis.

A Grécia sofreu neste mês três rebaixamentos de sua nota pelas agências de avaliação de risco, levando turbulências ao mercado global.

FONTE: Reuters, via Folha de São Paulo

NOTA DO BLOG: o texto acima caberia melhor em um blog de economia. Porém, as situações econômicas dos países ditam, quase sempre, como será o reequipamento militar desta ou daquela nação.

 

Jobim diz que “americano tem mania de achar que a América Latina é uma coisa só” e defende relação com os EUA “no mesmo nível”

vinheta-clippingO ministro da Defesa, Nelson Jobim, admite a hipótese de retaliação política dos perdedores do programa F-X2, de renovação de 36 caças da FAB, e avisa que o Brasil tem de estar preparado para elas. “Pode haver questões políticas que você tem de saber administrar. Quando você faz opções, sempre pode ter problemas. Isso é risco de país grande, e só vamos ficar sabendo depois”, disse ele em entrevista à Eliane Cantanhêde, da Folha de São Paulo, publicada hoje (26/12).

Deixando claro nas entrelinhas a opção pelo Rafale, da França, que concorre com o Gripen NG, da Suécia, e o F/A-18 Super Hornet, norte-americano, Jobim disse ainda que chamou a Aeronáutica para mudar as regras da indicação técnica. Segundo ele, foi porque “a transferência de tecnologia passou a ser prioridade”. Depois de 34 viagens internacionais no ano, disse que a América Latina deve ter uma relação com os EUA “no mesmo nível, não de baixo para cima”. Neste ano, firmou o maior acordo militar brasileiro na história recente, comprando R$ 22 bilhões em submarinos e helicópteros franceses.

FOLHA - Por que investir bilhões em armamentos num país como o Brasil, com tanta coisa por fazer?

JOBIM – Não é investir em armamento, é investir em desenvolvimento. Tudo o que a gente está fazendo em relação à Marinha e à Aeronáutica diz respeito à construção no Brasil de submarinos, de helicópteros e futuramente de caças. Um brutal avanço tecnológico, porque a empresa estrangeira associa-se a empresas nacionais e produz no país, formando técnicos, gerando expectativas, criando empregos, o diabo a quatro. Toda a alta tecnologia se desenvolve primeiro na área militar, só depois vai para a área civil.

FOLHA - E para que um submarino nuclear?

NELSON JOBIM – O território imerso do Brasil tem 4,5 milhões de quilômetros quadrados e, numa faixa de Santa Catarina até o Espírito Santo, há a maior riqueza submersa do país. É preciso dissuasão.

FOLHAPor que não usar os submarinos convencionais, que têm manutenção muito mais barata?

JOBIM – O submarino convencional tem uma estratégia de posição, ele vai a profundidades muito grandes, mas desenvolve velocidade baixíssima. Já o de propulsão nuclear tem estratégia de movimento e chega a até 60 km/hora. Para nosso litoral, não é possível escolher um ou outro, tem de ser um e outro.

FOLHA - Ao perseguir liderança internacional e os projetos na área nuclear, o Brasil caminha para modificar a Constituição e ter condições de construir a bomba, como desconfiam diplomatas estrangeiros?

JOBIM - Nem pensar. Isso é cogitação de diplomata que chega sem saber nada sobre o Brasil.

FOLHAO governo deixou a decisão dos caças para 2010 porque os franceses não estão cumprindo as promessas de Nicolas Sarkozy?

JOBIM – O problema todo é esse: havia uma decisão política de prosseguir a aliança estratégica com a França e havia um processo de seleção estabelecido pela Aeronáutica, que chegou aos três finalistas. A análise que tem de ser feita é quanto à plataforma, que significa basicamente o avião; à transferência de tecnologia; à capacitação nacional; ao preço e, finalmente, ao custo do ciclo de vida. A FAB faz a análise quanto à plataforma e sua adequação às necessidades do país e informa as tecnologias que as empresas estão oferecendo, inclusive detalhando as regras de cada país para aquela tecnologia.

Aqui, surge o seguinte: a França desenvolve toda a tecnologia do seu avião, depois tem a Boeing, em que toda a produção é norte-americana, e, por fim, a Saab, sueca, que tem produção americana, que é o motor, e outras europeias.
Então, tem de verificar a regra para transferência de tecnologia de cada uma dessas coisas. Não podemos iniciar o desenvolvimento de tecnologia no país e ser surpreendidos lá adiante por um embargo.

FOLHA - A FAB apresentou um relatório e o sr. devolveu, pedindo mais explicações?

JOBIM - Eu disse a eles o que eu queria. O que eles tinham era uma modelagem que vinha desde a época do governo passado, a da Copac [Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate], e eu disse ao brigadeiro [Juniti] Saito [comandante da Aeronáutica]: “Olha, mudou a modelagem. Não é mais essa aí”.

FOLHAFoi uma forma de pedir para refazer o resultado e evitar um favorito que contrariasse a preferência do presidente?

JOBIM – Isso é presunção sua, conclusão de jornalista, partindo do pressuposto de que montei tudo para chegar à conclusão que eu quero. Não é nada disso. Quero chegar ao seguinte: isso aqui é que determinará a conclusão e não a conclusão que vai impor isso. Entendeu?

FOLHANão está se mudando na reta final uma regra e uma comissão que vêm há muitos anos, aliás, muito antes do governo FHC?

JOBIM – É que você teve, no meio do caminho, uma coisa que não tinha antes, a Estratégia Nacional de Defesa, que interfere em tudo, transforma a transferência de tecnologia em prioridade.

FOLHANa prática, o sr. vetou a FAB de indicar o favorito?

JOBIM – Não vão indicar mesmo, quem decidirá é o governo.

FOLHAO risco de não saírem os caças é zero?

JOBIM – Praticamente zero. O presidente decide em janeiro e depois vem a negociação do contrato, que pode levar uns dois meses, como na Marinha.

FOLHANão é preocupante pendurar todas os contratos e equipamentos num único país fornecedor?

JOBIM – A premissa é falsa, antiga. Confunde compra de oportunidade com capacitação nacional. Se você simplesmente compra alguma coisa que não sabe fazer, sim, você fica na mão do fornecedor. Antes era assim, o que exigia uma diversidade enorme de fornecedores e o preço da logística ficava uma barbaridade. Hoje, com a premissa da capacitação nacional, é melhor produzir um tipo só, porque reduz o custo.

FOLHAÉ uma defesa dos Rafale, já que os contratos são todos com a França?

JOBIM – É a defesa de quem transferir tecnologia.

FOLHAÉ possível algum tipo de retaliação dos perdedores? Jurídica, por exemplo?

JOBIM – Não, porque não é uma licitação, é um processo de seleção, ou seja, com dispensa de regras previstas na 8.666 [Lei das Licitações]. Bem, pode haver questões políticas que você tem de saber administrar. Evidentemente, isso pode acontecer em qualquer hipótese. Se você escolher o Gripen, pode ter problemas com os franceses e os americanos. A mesma coisa se for o F-18. Quando você faz opções, sempre pode ter problemas. Isso é risco de país grande, e só vamos ficar sabendo depois.

FOLHAQual o foco de reequipamento em 2010?

JOBIM – Na Marinha, nós temos interesse em navios de patrulha oceânicos, logísticos e costeiros. A Itália e a Ucrânia vão mandar gente aqui em janeiro. No Exército, o presidente autorizou R$ 43 milhões para o início do projeto do blindado sobre rodas para substituir o Urutu. A princípio, vai se chamar Guarani. Na Aeronáutica, o FX-2. E, em comum para os três, o satélite de monitoramento.

FOLHAA nova lei de Defesa é para preparar as Forças Armadas para agir em crises urbanas, como no Rio?

JOBIM – No Exército não muda nada, porque desde 2005 ele ganhou competência de patrulhamento, revista e prisão em flagrante em caso de crimes ambientais e transfronteiriços. O que faz a nova lei? Autoriza a Aeronáutica e a Marinha a poderem fazer o mesmo.

FOLHAComo foi a conversa com o secretário-adjunto para o Hemisfério Sul, Arturo Valenzuela?

JOBIM – Muito boa. Eu defendi que os EUA se reapresentassem à América Latina, e a reapresentação passa pela relação com Cuba. O problema americano qual é? Não é o caso dele, mas americano tem mania de achar que a América Latina é uma coisa só, e não é. Mostrei a ele que nós queremos criar uma região de paz e ter uma relação com os EUA no mesmo nível, não de cima para baixo.”

FONTE: Reportagem de Eliane Cantanhêde publicada hoje (26/12) na Folha de São Paulo.

RELEMBRE OS FINALISTAS DO FX-2

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F-X2: surpresa em janeiro de 2010?

O anúncio do vencedor do Programa F-X2 da FAB deve ser feito finalmente em janeiro. Depois da disputa acirrada, dos voos de testes feitos pela FAB, da guerra dos lobbies nos bastidores e das centenas de matérias publicadas na imprensa sobre o tema, o caça escolhido pelo Presidente Lula definirá o futuro da Força Aérea Brasileira e da nossa Indústria Aeroespacial no setor de Defesa.

Muito tem sido especulado sobre a demora na decisão final, depois que o Governo demonstrou sua “preferência” pelo caça francês Rafale no dia 7 de setembro.

Filtrando o grande volume de informações que recebemos nos últimos meses, no final a “decisão política” do Governo deverá levar em conta a análise técnica da FAB sobre os candidatos, apesar de sua preferência. Se a decisão dependesse apenas do Presidente ou do Ministro da Defesa, ela já deveria ter sido tomada.

Espera-se também que a escolha do novo caça para a FAB terá algum impacto nas eleições presidenciais, já que de acordo com o vetor selecionado, a oposição o usará como munição para atacar o Governo.

Sendo assim, recomendamos às torcidas dos três candidatos ao F-X2 que apertem seus cintos, pois poderemos ter uma grande surpresa em janeiro…

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