A Academia da Força Aérea (AFA) recebeu a visita de dois caças Boeing F/A-18F Super Hornet pertencentes à Marinha dos Estados Unidos (USN) durante as comemorações dos 60 anos da Esquadrilha da Fumaça, no último final de semana.
De acordo com a tipo de matrícula empregada pela USN, cada aeronave possui um “Bureau Number” (BuNo) composto por seis dígitos. Este número é comumente encontrado na porção inferior da fuselagem traseira. As aeronaves também possuem números definidos pelo fabricante (“construction number” os c/n), mas estes não são mostrados nas superfícies da aeronave.
Sendo assim, os Super Hornet eram o BuNo 166790 (c/n F171) e o BuNo 166677 (c/n F155). O primeiro deles pertencia ao esquadrão VFA-122 “Fliyng Eagles” e o segundo ao esquadrão VFA-105 “Gunslingers”.
Como se pode ver, estes aviões pertenciam a duas unidades diferentes que, geograficamente, encontram-se em locais totalmente opostos. Os “Fliyng Eagles” estão baseados em Lemoore, no estado da Califórnia (costa Oeste) e os “Gunslingers” estão em Oceana, na Virgínia (costa Leste).
Além disso, os dois esquadrões possuem funções distintas, sendo um deles uma unidade de primeira linha que regularmente embarca em porta-aviões (o VFA-105) e o outro pertencente à uma unidade de treinamento e conversão operacional (o VFA-122). O Poder Aéreo traz um pouco sobre cada uma dessas aeronaves e seus respectivos esquadrões.
O 166677
O 166677 é um dos Super Hornets que fazem parte do último lote (o lote 28) do primeiro contrato plurianual (Multi-Year Procurement I – MYP I). As aeronaves do Lote 28 foram entregues no ano de 2006 e, portanto, o 166677 trata-se de um “autêntico” Block II.
O primeiro Super Hornet Block II deixou a fábrica da Boeing em St. Louis em 28 de abril de 2005. No ‘block II’ as aeronaves passaram a contar com uma fuselagem frontal totalmente nova, que recebeu a designação ECP (engineering change proposal) 6038. Desenhada para incorporar os novos sistemas, com destaque para o radar AESA APG-79, o projeto também teve como meta a redução dos custos de produção.
A primeira aeronave ‘Block II’ pertencia ao lote 26, ainda do MPY I (Multi-Year Procurement I). Três Super Hornet do Lote 26 receberam inicialmente o radar AESA e os testes operacionais começaram em julho de 2004.
Mesmo que as aeronaves do Lote 28 sejam todas ‘Block II’ de fábrica, nem todas receberam o radar AESA inicialmente. Das 42 aeronaves do Lote 28, somente 12 receberam o radar APG-79 (que faziam parte do LRIP 2). O Super Hornet 166677 saiu da fábrica e foi direto para o esquadrão VFA-122 e só recebeu seu radar AESA em 2007, durante um ‘retrofit’. Atualmente todos eles estão equipados com esse tipo de sistema.
Um pouco sobre o VFA-105
O 166677 atualmente está designado para o esquadrão VFA-105. As origens do esquadrão VFA-105 podem ser encontradas no início da década de 1950, quando a USN comissionou formalmente o esquadrão de ataque leve VA-105, equipando-o com aviões AD-1 Skyraider. Este esquadrão foi posteriormente desativado.
Em 1967, a USN recriou o VA-105, estabelecendo o esquadrão na base aérea naval de Cecil Field. Desde então o VA-105 realizou uma série de comissões pelo Sudeste Asiático, participando ativamente da Guerra do Vietnã com seus caças A-7A Corsair II, posteriormente substituídos pela versão A-7D mais moderna.
No início da década de 1990 o esquadrão foi redesignado como VFA-105, substituindo seus A-7E por F/A-18C Hornet. A transição para o Super Hornet ocorreu em julho de 2006.
Atualmente os ‘Gunslingers’ estão baseados em NAS Oceana (VA), compondo um dos dois esquadrões equipados com Super Hornet da Carrier Air Wing 3 (CVW-3). A CVW-3, por sua vez opera a bordo do USS Harry S Truman (CVN-75) desde que o mesmo foi incorporado ao serviço ativo da USN no ano de 2000.
No momento o Truman está perto de completar um dos sues maiores períodos de manutenção e modernização, que teve início em março do ano passado.
O 166790
O 166790 é um avião ligeiramente mais novo que o 166677 descrito acima. Ele pertence ao lote subsequente (o Lote 29), sendo este o primeiro lote do MPY II (Multi-Year Procurement II). os 42 caças que compõem o Lote 29, 22 receberam o radar AESA de fábrica de acordo com o LRIP 3 (Low Rate Initial Production 3). O 166790 era um deles. Os demais foram modernizados posteriormente.
Esta aeronave é comumente empregada pela Boeing para realizar demonstrações ao redor do globo. Há informações de que este mesmo avião recebeu dois motores GE F414 da versão EPE (Enhanced Performance Engine – que conta com 20% a mais de empuxo que o anterior). No entanto, oficialmente este Super Hornet pertence ao esquadrão VFA-122.
Um pouco sobre o VFA-122
Em 1950, a USN criou um esquadrão de ataque (VC-35) com aeronaves AD-1 Skyraider que ficou conhecido como ‘Flying Eagles’. Em 1959 a função do esquadrão foi modificada, passado de esquadrão de ataque para unidade de treinamento e conversão operacional (Fleet Replacement Traning – FRT), recebendo a nova designação VA-122. O nome ‘Flying Eagles’ deixou de ser utilizado e só voltou em 1971. A mudança de San Diego para Lemoore ocorreu em 1963, e três anos depois ocorreu a conversão do Skyraider para o Corsair II.
Em 1991 o VA-122 foi extinto, reaparecendo novamente em 1999, mas com a designação VFA-122. O esquadrão nasceu com as mesmas atribuições anteriores, mas agora com a responsabilidade de ser o primeiro esquadrão operacional a empregar o Super Hornet e com a tarefa de ensinar os pilotos navais a voarem e com combaterem com ele.
Há menos de dois anos o VFA-122 absorveu o VFA-125. Este último era responsável pelo treinamento de novas tripulações para os ‘legacy Hornets’ (versões A, B, C e D).
Atualmente o VFA-122 não é uma unidade de linha de frente, mas sim uma das duas unidades de conversão e treinamento (FRS – Fleet Replacement Squadron) de caças da USN (o VFA-122 na costa Oeste e o VFA-106 na costa Leste). Sua responsabilidade é treinar aviadores da Marinha dos EUA e dos Fuzileiros Navais que pretendem voar tanto o Hornet como Super Hornet.
O treinamento é dado tanto para aqueles jovens pilotos que foram selecionados para a aviação de caça, como para aqueles que estão migrando a partir de um outro modelo de avião para a família Hornet/Super Hornet. Também passam pelo esquadrão os pilotos que necessitam de readaptação ao voo após exercerem atividades na força não relacionadas à aviação e que assumirão algum posto relacionado à aviação de caça naval.
Outras atribuições do esquadrão incluem o treinamento de mecânicos, fornecimento de aeronaves para esquadrões de linha de frente e estabelecimentos de procedimentos e padrões de manutenção e operação.
VEJA TAMBÉM:
- Fumaça 60 anos: meu nome é Hornet, Super Hornet
- Fumaça 60 anos: meu nome é Hornet, CF-188 Hornet
- Fumaça 60 anos: the show must go on!
- Prepare-se para ver imagens fortes
- Para quem não foi, um gostinho da festa dos 60 anos da ‘Fumaça’
- Ainda dá tempo
- É amanhã, mas trouxemos uma prévia
- Hornets do Canadá já estão no Brasil
- 60 anos da Fumaça: São Pedro pode não colaborar







Facebook
LinkedIn
Twitter
Orkut
PDF































































































Comentários recentes